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Ele era o camisa 10 da ‘geração Vinicius Jr.’ na Gávea, mas deixou o Flamengo; hoje, joga no ‘celeiro de craques’ da Premier League

Bernardo Rosa foi revelado na base do Flamengo, fez parte da ‘geração Vinicius Jr.’ e hoje atua pelo sub-23 do West Ham, da Inglaterra

Nesta quinta-feira, o


West Ham


recebe o


Lyon


, às 16h (de Brasília), pelo jogo de ida das quartas de final da



Europa League

. A partida terá


transmissão ao vivo


pela

ESPN

no

Star+



.

Na base da equipe londrina, um brasileiro vem se destacando nos últimos anos: o meio-campista

Bernardo Rosa

, de 21 anos, que defende o time sub-23 dos

Hammers

.

O carioca começou sua trajetória no futebol no


Flamengo


, fazendo parte de uma ótima geração das canteras rubro-negras.

“Sou sobrinho neto do zagueiro Augusto, que foi capitão do Brasil na Copa do Mundo de 1950. Eu jogava futebol na escola, depois fui para o futsal no Vasco Barra, mas queria jogar campo. Então, fui para o CFZ, mas infelizmente eles fecharam. Só que, como tinha parceria com o Flamengo, fui lá fazer um teste”, contou Bernardo, em entrevista ao


ESPN.com.br

.

“Lembro que, na minha peneira, estava também o

Vinicius Jr.

Eu e ele fomos aprovados! Nas cinco peneiras, sobramos eu, ele e mais uns cinco. Depois disso, fiquei dos 10 aos 16 anos no Flamengo”, recordou.

Na base rubro-negra, Rosa fez boa parceria com o “Malvadeza”, antes do ponta ser contratado pelo


Real Madrid


.

“O Vini sempre foi diferenciado. Era muito mais rápido que todo mundo. Sempre fazia gols e se destacou a vida inteira como artilheiro e melhor jogador dos campeonatos. Ficamos juntos dos 10 aos 16 anos”, salientou.

“Ele é um cara muito humilde e engraçado, falava muito com todo mundo e sempre se deu bem com todos. É um cara de mentalidade vencedora, e ganhamos tudo que tinha para ganhar na base. Foram anos muito bons. E dava para ver desde aquela época que ele ia chegar longe, pois era diferenciado, todos já o conheciam e ele era chamado sempre para as seleções de base”, rememorou.

“Além disso, ele era a alegria do time, muito engraçado. Acho que nunca vi o Vini triste na vida. Estava sempre sorrindo e brincando com todo mundo, fazendo aquela resenha do futebol. Nas viagens, a gente ficava hospedado em escolas para jogar campeonatos e não usava muito celular, era muita brincadeira e risada. Época boa demais”, relatou, saudoso.

A geração de Bernardo Rosa, Vinicius Jr. e cia. fez história no futebol brasileiro neste período.

“Nossa geração 2000 ficou nacionalmente famosa, porque ficamos uns dois anos invictos. Tínhamos o

Wesley ‘Gasolina’

, que hoje é da Juventus, o

Henrique

, que está no Goiás, o

Yuri

, que está em Dubai, o

Lincoln

, o

Luan Cappani

, do Milan, o

Vítor Gabriel

, entre outros”, enumerou.

“Foi uma experiência maravilhosa. Eu era muito jovem, e o futebol era pura diversão nessa época. Nosso grupo era muito unido e ganhamos quase tudo. O nível era absurdo de alto”, exaltou.

A ida para a Inglaterra

A ida de Bernardo Rosa para a Inglaterra e a entrada para a base do West Ham aconteceram meio que por acaso.

“No meu último ano de Flamengo, eu comecei a perder espaço no time, fiquei meio desmotivado e resolvi deixar o clube no final de 2015, começo de 2016. Em seguida, meu pai teve a chance de trabalhar em Londres e eu decidi ir com ele. Fui para a escola e, como sou brasileiro, todo mundo queria jogar comigo (risos). Virei titular do time da escola rapidinho”, recordou.

“O treinador da minha escola gostou de mim e ele conhecia alguém no West Ham, que conseguiu arrumar um teste para mim. Fui lá ver no que ia dar… Passei e estou no clube até hoje!”, ressaltou.

O brasileiro admite que ele mesmo ficou surpreso com o rápido encaixe que teve no novo país.

“Eu não vim para a Inglaterra com a ideia de jogar futebol, nem pensava mais nisso… Fui para Londres para ver o que ia dar na minha vida, mas acabei voltando pra bola. Entre a saída do Flamengo e minha chegada no West Ham, foram só alguns poucos meses”, explicou.

Bernardo Rosa observa que o futebol do Brasil é muito diferente do da Inglaterra, ainda mais na base.

“A base aqui é muito diferente, em termos de treino, mentalidade, treinadores… Foi bem difícil no começo para eu me adaptar, ainda mais porque estava aprendendo o inglês ainda, e não tinha quase ninguém que falava português”, recordou o meio-campista, que tem grande admiração pela história do West Ham.

“É um time que revelou Lampard, Joe Cole, John Terry, Ferdinand, Carrick… No CT, tem foto de todos os craques. É uma base de enorme respeito, e que produz muitos jogadores

top

“, elogiou.

Para conseguir jogar no ritmo inglês, é necessário grande preparação e muito foco.

“Na Inglaterra você tem que correr muito. É um estilo de jogo agressivo, disputado. Você tem que pressionar na marcação o tempo todo, e se não estiver na melhor forma física é fácil de perceber. Tem que estar com a direta em dia, fazendo os treinos em hora extra no campo, senão você não vai se destacar”, salientou Bernardo, que enfrentou nos últimos anos vários atletas que hoje desfilam na

Premier League

.

“Toda semana jogamos contra outros timaços de base, como Manchester City e Arsenal. Já joguei contra Saka, Smith-Rowe, Gallagher, Hudson-Odoi, Foden, Sancho… Todos os jovens que hoje estão se destacando no profissional eu joguei contra”, exaltou.

Experiência no time profissional e mudança de posição

A primeira experiência de Bernardo no time principal do West Ham foi na temporada 2019/20, quando ele vinha se destacando no elenco sub-23.

“Pela base, eu ganhei um campeonato no Japão e fui eleito o melhor do torneio. Na temporada retrasada, fomos campeões da 2ª divisão da

Premier League

sub-23, e agora estamos na 3ª posição, atrás só do City e do Arsenal”, relatou.

“Comecei a treinar um pouco com o profissional quando o Manuel Pellegrini estava como técnico, e foi uma experiência absurda. Foi muito maneiro! Fui para o jogo na

Premier League

em uma das primeiras partidas do David Moyes. Eu estava de folga, mas estavam faltando jogadores para completar o banco. Meu treinador me ligou dizendo que eu ia treinar com o profissional. O Felipe Anderson foi muito gente boa, me ajudou muito, asism como o Balbuena. Fui muito bem recebido no treino e vi que a qualidade é muito diferente, assim como a velocidade. Você precisa estar focado, senão perde a bola toda hora e não se desaca. Precisa dar 100% o tempo todo, porque o nível é impressionante”, ressaltou.

“Treinei bem e me falaram que eu ia viajar para Sheffield. Foi uma sensação bizarra e maravilhosa! Foi a única vez que fiquei no banco do elenco principal. Não joguei, mas foi uma experiência absurda. O estádio estava lotado, com praticamente todo mundo ‘cornetando’ e torcendo contra. Depois, muita gente ainda me mandou mensagem dizendo que me viu na TV na hora que mostraram o banco”, sorriu.

Bernardo lamenta não ter conseguido fazer sua estreia profissional pelos

Hammers

, mas sonha com uma chance em breve, seja no West Ham ou em outro clube.

“Eu fiquei com aquele gostinho de ‘quero mais’, mas infelizmente a estreia não aconteceu. Estou treinando e jogando bem no sub-23 do West Ham, tentando procurar a oportunidade. Se não for no West Ham, tomara que seja em outro grande clube”, afirmou o atleta, que tem contrato até o meio do ano com os londrinos.

“Jogar a

Premier League

é um sonho que estou trabalhando desde criança e me dediquei muito para isso. Estou bem adaptado à Inglaterra, mas não descarto também atuar em outros países, pois isso pode me beneficiar muito na carreira. Até tenho passaporte italiano, vamos ver o que acontece”, afirmou.

Na Inglaterra, aliás, o jogador mudou a posição que atuava nos tempos de Flamengo.

“Eu jogava como camisa 10 na base do Fla. Na Inglaterra, virei um 2º volante que vai e volta. Sou bem enérgico e atuo em várias faixas do gramado. Posso também jogar como lateral-direito e esquerdo. Se o técnico precisar, jogo em qualquer lugar e dou o meu melhor. Mas não perdi o estilo brasileiro, tenho técnica e gosto de driblar bem”, finalizou.

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